segunda-feira, 23 de maio de 2011

FUSOS HORÁRIOS

FUSOS HORÁRIOS

Quando o relógio marca 9 horas da manhã em São Paulo, no Brasil, são 9 horas da noite em Tóquio, no Japão. Ou seja, enquanto a gente estuda e trabalha, lá do outro lado do mundo, as pessoas se preparam para dormir e vice-versa. Tudo isso acontece porque estamos em partes diferentes do planeta que recebem luz do Sol em horários diversos. Para facilitar o comércio e a navegação e evitar confusões com as diferenças entre as várias regiões do mundo, foi estabelecido um padrão internacional para contagem das horas. Veja aqui como funcionam os fusos horários.

Dia e noite

Para falar de fuso horário, é preciso entender primeiro por que temos o dia e a noite. A Terra, assim como os demais planetas do Sistema Solar, gira sobre si mesma, no movimento conhecido como rotação. Para completar uma volta sobre o seu eixo, a Terra leva cerca de 24 horas – ou um dia. É essa volta que marca a diferença de tempo entre os diversos países. Enquanto gira, uma parte do globo recebe luz do Sol e a outra fica no escuro. Brasil e Japão estão exatamente em partes opostas do globo. É por isso que quando é dia num lugar, é noite no outro.

Os fusos e a hora oficial

Imagine um mundo onde cada cidade tivesse seu horário local sem se preocupar com o que acontece nos outros lugares? Isso era realidade até a metade do século XIX. Nesse período, a rápida expansão do transporte ferroviário e das redes de comunicação telegráfica mostrou que era preciso urgentemente estabelecer um padrão mundial de marcação da hora local nas diversas partes do globo. Esse problema era muito sentido principalmente nos Estados Unidos e no Canadá, onde aconteciam muitas confusões com os horários de trens que atravessavam esses países de costa a costa.
Pelo sistema de fusos horários, a circunferência da Terra (360º) é dividida pelo número de horas do dia. O resultado são 24 meridianos longitudinais, cada um com 15º e equivalentes a uma hora. Esses meridianos é que são chamados fusos horários.

O fuso zero

Fuso zero é o meridiano de referência ou a longitude 0º (zero grau) em relação ao qual as horas em todos os lugares do globo são calculadas. Em 1884, a Conferência de Washington, nos Estados Unidos, decidiu que o meridiano de origem seria o de Greenwich – sede do Observatório Astrônomico Real inglês. Esse meridiano é uma linha imaginária que cruza Greenwich, no subúrbio de Londres, Inglaterra. É ele que determina a hora oficial no mundo.
O Meridiano de Greenwich foi escolhido por dois motivos. Primeiro porque ele já era utilizado nos Estados Unidos como referência para a marcação das horas. Segundo, porque 72% das transações comerciais usavam cartas marítimas que tinham esse meridiano como longitude 0º.

Calculando a hora no mundo

Os fusos horários são contados de 0 a 180º para oeste e para leste de Greenwich. Como a Terra gira no sentido oeste-leste, a cada 15º, partindo de Greenwich para o leste, as horas aumentam e para o oeste, diminuem. Assim, para saber que horas são em uma determinada cidade é preciso primeiro saber em que meridiano ela está e se está a leste ou a oeste de Greenwich. Por exemplo: São Paulo está no fuso 45º oeste. Isso quer dizer que a hora local em São Paulo será 3 horas a menos que na cidade inglesa. Se em Greenwich são 14 horas, em São Paulo serão 11 horas. Isso se não estivermos em horário de verão...

O horário de verão

A adoção do horário de verão é uma forma de economizar energia elétrica e evitar sobrecarga do sistema e blecautes no início da noite, quando aumenta o consumo de eletricidade. A medida
não é exclusividade do Brasil e é adotada em muitos outros países, como Estados Unidos, Japão e também na Europa.
Como na época de verão o dia é mais longo do que a noite, a idéia é de aproveitar melhor a luz natural. Por isso é que os relógios são adiantados. Assim, não só se aproveita mais a luz da manhã (porque acordamos mais cedo), como também a luz do final do dia, gastando-se menos energia elétrica.
Em regiões que estão muito próximas à linha do Equador, como o Norte e grande parte da região Nordeste do Brasil, o horário de verão não costuma ser adotado porque a duração do dia e da noite é praticamente a mesma durante todo o ano. Já no Rio Grande do Sul, os dias no verão chegam a ser quatro horas mais longos que no inverno. No Brasil, o horário de verão foi utilizado várias vezes ao longo do século XX, mas desde 1985 ele tem sido adotado a cada ano.

Você sabia?

O Brasil tem quatro fusos horários, ponto de vista teórico; do ponto de vista prático temos 3 fusos horários – todos atrasados em relação a hora mundial – GMT = Greenwich Meridian Time.
Como ocorre em diversos países extensos, atravessados por mais de um fuso horário, as linhas são alteradas para que o dia-a-dia das pessoas fique mais fácil. Se essas linhas fossem respeitadas à risca, a cidade do Recife, por exemplo, estaria uma hora adiantada em relação ao interior de Pernambuco. Isso porque esse Estado e muitos outros da região Nordeste são cortados ao meio por uma linha de fuso. Se não houvesse a alteração, seria muito complicado para os habitantes conciliarem horários de bancos, comércio e meios de transporte nas diferentes cidades. A hora oficial, que determina qual vai ser o horário numa determinada região, é fixada pelo governo. A Argentina, por exemplo, está localizada no fuso 60º oeste, portanto, a menos 4 horas em relação a Greenwich, mas adota como hora oficial à de Brasília, que está no fuso 45º oeste.
O país que tem mais horários diferentes é a Federação Russa. Ao todo, são dez fusos, de leste a oeste. Isso significa que, quando é meio-dia na capital Moscou, já são 10 horas da noite nas cidades do extremo leste russo!

Mudança de data

Com uma referência como o meridiano de Greenwich, é fácil sabermos quando é meio-dia num lugar e meia-noite em outro. Mas como definir em que ponto do globo muda o dia? Isso também foi decidido na Conferência de Washington em 1884. A Linha Internacional da Data, que corta o oceano Pacífico de norte a sul, é a convenção geográfica que estabelece em que data está cada ponto da Terra. Essa linha é um prolongamento do Meridiano de Greenwich para o lado oposto do globo – ou seja, 12 horas depois – e corresponde ao meridiano 180º. Ao atravessá-la, muda-se para o dia anterior (de oeste para leste) ou para o dia posterior (de leste para oeste). Complicado? Vamos colocar desse modo: qualquer que seja a data em um lugar à oeste da linha, o leste estará na mesma hora no dia anterior. Assim, quando for zero hora de 15 de junho na Linha da Data, os lugares que ficam a leste dela marcarão o mesmo horário, só que a data será 14 de junho.

A virada do ano

Em que lugar do mundo o ano vira primeiro? Agora que conhecemos a Linha Internacional da Data fica fácil responder a essa pergunta. Um lugar pouco badalado que é um dos primeiros a 'ver' o ano-novo é a cidade russa de Uelen, na fria região da Sibéria. Uelen está situada no extremo leste da Rússia, junto ao Estreito de Bering, que divide a Ásia da América do Norte. Mas são as paradisíacas ilhas do oceano Pacífico que chamam a atenção do mundo. É para lá que vão milhares de turistas de vários países até o último dia de dezembro para comemorar a chegada do ano-novo. Países como Tonga e Kiribati e as Ilhas Chatham, que pertencem à Nova Zelândia, estão próximos da Linha Internacional da Data e separados entre si por alguns poucos minutos. Kiribati, por exemplo, é um arquipélago cortado pela Linha da Data. Enquanto a capital Bairiki estará comemorando o 1º de janeiro, as ilhas à leste – que estão no meridiano 180º oeste – têm que esperar quase um dia para fazer o mesmo. Igual paciência precisam ter os habitantes de Samoa Ocidental, também na Oceania.

A doença do fuso horário

O jet lag ou doença do fuso horário é muito comum quando se atravessa muitos fusos horários em pouco tempo. Esse problema acontece devido a um descompasso entre os ritmos internos do organismo e os externos. Além da queda no desempenho e na concentração, a doença pode resultar em irritabilidade, cefaléia, taquicardia e alteração dos padrões de sono e fome. Ela também é comum em pessoas que estão submetidas a turnos irregulares de trabalho.
        A adaptação a um novo fuso horário pode levar de 3 a 18 dias. Evitar café e bebidas alcoólicas e ter uma boa noite de sono na véspera da viagem são as principais recomendações para ajudar o organismo a acostumar-se ao novo ritmo.